Luiz Barata & Nitcho - ETERNO MENINO LEVADO (2026)
1. A infância como resistência Há discos que falam sobre amadurecimento. ETERNO MENINO LEVADO faz algo mais raro: questiona se amadurecer é mesmo uma virtude. Lançado em janeiro de 2026, fruto da parceria entre Luiz Barata e o produtor Nitcho, o álbum surge em um momento peculiar do rap brasileiro. Depois de uma década em que o gênero consolidou sua presença no mainstream, parte da cena passou a reagir ao excesso de profissionalização, à lógica do algoritmo e à estética corporativa que frequentemente transforma artistas em gestores de marca. Nesse contexto, o disco de Barata parece reivindicar um direito quase político: o direito à irreverência. O próprio conceito do álbum é revelador. A figura do “menino levado” não aparece como nostalgia ingênua da infância, mas como símbolo de uma subjetividade que se recusa a ser completamente domesticada. O texto de apresentação do projeto descreve justamente essa tensão entre crescer e preservar a capacidade de brincar, provocar e cr...