Filme: Inferno em chamas (1974)
Há filmes ruins que desaparecem. Há filmes ruins que se tornam cultuados. E há filmes ruins que acabam funcionando involuntariamente como documentos históricos de paranoia cultural. The Burning Hell pertence decisivamente à terceira categoria. Assistir ao filme hoje não é apenas confrontar um artefato de evangelismo exploitation dos anos 1970; é observar uma cultura inteira tentando administrar medo, culpa e transformação social através de imagens de punição eterna. Poucos filmes americanos expressam tão claramente a psicologia religiosa do pós-contracultura. Produzido por Ron Ormond e estrelado pelo pastor batista Estus Pirkle, The Burning Hell surge num momento particularmente instável da história americana. O país ainda metabolizava Vietnã, crise de autoridade institucional, revolução sexual, crescimento do secularismo e dissolução progressiva do consenso protestante tradicional. Em muitas regiões conservadoras dos Estados Unidos — especialmente no Sul —, o fundamentalismo eva...